O show de Paul Mcartney foi um belo espetáculo de contraste!
Contraste? Sim!
De um lado, temos no palco a trajetória de um dos músicos mais talentosos e mais bem sucedidos da atualidade. Do outro, na imensa plateia, carente há mais de 48 anos de ver de perto um ídolo, um maestro que conduziu a trilha sonora de gerações.
Paul não começou nos Beatles. Sua banda mais conhecida antes dos Beatles chamava-se The Quarrymen e foi formada pelo injustiçado John Lennon, morto em 1981.
Lennon sempre foi questionador, controverso e politizado. Acredito que seu embate com a direita americana resultou no atentado psicótico que o assassinou. Mas isso é uma crença de um brasileiro músico, apaixonado por história, geografia e política.
A imagem que tenho de Paul é de um homem que sofreu o suficiente para enlouquecer qualquer um. Perdeu o grande companheiro de música nesse assassinato. Sua antiga esposa e companheira do Wings, faleceu depois de adquirir câncer.
Diante de tudo, sempre escutei boatos sobre a dificuldade que Paul tinha de executar as músicas dos Beatles por problemas com a editora de Micheal Jackson que detinha o patrimônio das obras da Banda. Mesmo sem contar boatos, é imaginável a trajetória não só musical como emocional desse grande artista.
Mas a plateia está num paralelo distante.
Diferente da maioria das cidades em que Paul toca, essa plateia enfrenta um jornada diária de alto stress que passa por um trânsito mal ajustado e caótico, fruto de políticas públicas de transporte precárias que, entre tantos erros, insiste em não investir no transporte público de excelência.
A plateia passa também, em sua maioria por graves problemas econômicos e financeiros, pois vive uma das maiores cargas tributárias do mundo e custos de juros financeiros estratosféricos. Diferente do "Sir" Paul, que inglês, venceu a 2ª Guerra Mundial ao lado dos Americanos e dos sacrificados Soviéticos, colheu muito bem os frutos, aproveitando um grande maquinário ideológico e político para nos servir suas belas canções entre tantos outros artistas de destaque anglo-americanos.
A barreira é gigante. A música, o amor da plateia e o incansável Paul, vitorioso em suas batalhas a arrebentam juntos, por 2h30, em meio a comoção dos presentes. Mas são 2h30, de sonhos, que antes de começar se parece com um embate frenético. E ao terminar retorna ao mesmo embate.
Minhas palmas são para todos: Paul e plateia!
Se Paul, na idade que sustenta, tem energia para nos oferecer um momento mágico, a plateia deve regozijar-se tanto quanto! São pequenos notáveis guerreiros que no dia a dia mostram seu heroísmo, mantendo o equilíbrio em uma situação social de apavorar qualquer ser humano desse planeta!
Bem vindo, Sir, mais uma vez a nós que sempre sonhamos em ser caubóis, ser do ouro, ser vocês, ser do mundo, ser Goiás (paródia com "Canção Para Lennon e McCartney" - Fernando Brant, Márcio Borges e Lô Borges).